A Terceira Via, consolidada (31/01)
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Observações políticas
Assisti pela tevê ao debate entre os candidatos à presidência da Câmara dos Deputados (foto). Uma coisa boa é que doravante será difícil deixar de haver debate quando houver eleição para presidente da Câmara dos Deputados. A democracia é assim: os hábitos democráticos surgem como do nada e acabam se arraigando. O debate foi duro, como convém a contendas entre adversários. Foi curioso ver aliados de ontem se engalfinhando e adversários de ontem de mãos dadas. É a política. O PT parece ter se magoado com a fala final do presidente da Câmara, que advertiu contra uma possível concentração de poder nas mãos do PT. Eu não veria essa afirmação de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como uma crítica. Do ângulo da ciência política, chega a ser um elogio. Partidos existem para lutar pelo poder. Quanto mais, melhor. Por isso é que o pluralismo partidário é insubstituível na democracia: o apetite de um partido é controlado pelo apetite dos demais. Eu não conheço mecanismo mais eficaz para defender a liberdade. Você conhece? Eu proponho que esse debate seja feito objetivamente. Por exemplo, se o sujeito acha que só o PT é quem pode fazer as reformas necessárias para levar o Brasil a crescer e distribuir renda, é compreensível que essa pessoa lute para o PT ocupar cada vez mais espaços, ainda que à custa de posições hoje ocupadas por aliados. Se o indivíduo está convencido de que o PT é a única corrente política genuinamente comprometida com a luta dos trabalhadores e com as aspirações dos pobres por justiça social, tem mais é que ajudar a remover todo e qualquer obstáculo ao poder do PT. Aliás, não há novidade nesse enredo. O PT age agora em relação ao PCdoB e ao PSB como sempre agiu em relação a aliados com projetos próprios de poder. O PT foi implacável com o PMDB até subjugá-lo. Deu certo. Hoje, as facções peemedebistas rivalizam nas mesuras dirigidas ao PT. Até o PSDB já dá sinais de ceder diante do mix de dureza e ternura dos petistas. Pensando bem, ao desencadear a operação Delenda Aldo, o PT-governo presta uma homenagem à aliança PSB-PCdoB. Reconhece a ambos não como aliados menores, mas como concorrentes. Não existe reverência maior na política. É preciso saber, porém, se socialistas e comunistas estarão à altura da honraria.Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.
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Do mais antigo log brasileiro de notícias, o Blue Bus:
Eu sugiro que a direção do PSDB coloque uma placa em homenagem ao deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR) na sede nacional do partido. Sugiro também que se pense seriamente no nome dele para presidir a agremiação depois que acabar o mandato do presidente Tasso Jereissati. Fruet é um ex-peemedebista recém-incorporado às hostes tucanas. Mas foi ele, um neófito, quem ofereceu a solução para a embrulhada em que haviam se metido os caciques históricos do tucanato na sucessão da Câmara dos Deputados. O problema não foi o PSDB ter apoiado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara. O problema foi ter feito isso atabalhoadamente, sem um discurso previamente construído e sem preparar a opinião pública tucana para essa possibilidade. O PSDB pretendeu resolver uma questão político-partidária complexa na base do telemarketing [na política, um dos sintomas de deformação burocrática é a substituição das discussões políticas pelos métodos administrativos]. Depois, quando a coisa apertou, ninguém quis assumir a paternidade da criança. Deixaram o líder na Câmara como o suposto único responsável pela operação. Coisa feia. "Eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam." Nem o mais verde dos focas acredita que uma coisa dessas possa ser decidida no PSDB sem que a cúpula tenha alguma participação. Mais uma vez prevaleceu o ditado mineiro: esperteza quando é muita vira bicho e come o dono. Só que desta vez o dono deu um jeito de escapulir, graças ao deputado Fruet. Ele me lembrou hoje o oficial Harold Godfrey Lowe, do Titanic, que de dentro do bote e com uma lanterna na mão procura sobreviventes do naufrágio, bem no finzinho do filme (foto). Agora temos três candidatos para presidir a Câmara. Fruet larga com uns 80 votos, creio, vindos principalmente do PSDB e do PPS. Mas também pode puxar uma turma do PV. Além de votos esparsos. Aliás, deixei de comentar esses dias uma enquete de O Estado de S.Paulo entre os deputados, levantamento que mostrava Chinaglia ligeiramente à frente de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ambos num patamar em torno de cem votos. Um trecho da reportagem do jornal, no último dia 11, sobre a enquete:Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.
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