Capitalismo de ouvir falar (31/08)
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Observações políticas
De onde menos se esperava, acaba de chegar um argumento em reforço do pessoal que propõe a retomada pelo estado do controle da Vale do Rio Doce. Aliás, esse pessoal está organizando um plebiscito popular entre os dias 1 e 9 de setembro, para que os interessados opinem sobre o assunto. É democrático. Antes de tudo, uma advertência: eu não tenho posição de princípio sobre as privatizações. Eu tento analisar caso a caso. É evidente que tem algo de errado nesse caso da Vale. É óbvio que a coisa foi um péssimo negócio para o país. A empresa foi vendida por um valor trinta vezes menor do que ela vale (sem trocadilho) hoje. Eu não condeno o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por isso. Todo mundo pode errar. FHC fez coisas boas pelo Brasil, mas na privatização da Vale ele escorregou. Então é legítimo que se reveja o que foi feito lá atrás, para consertar. Eu sei que quando a Vale foi vendida o PT liderou a turma que era contra. Sei também que de lá para cá o PT e o presidente da República construíram boas relações políticas e de amizade com o pessoal que comprou a Vale, inclusive com o Bradesco. Mas eu espero que esse aspecto não interfira na posição que o governo vai adotar no caso. Eu tenho certeza de que o PT e o governo vão colocar o interesse nacional acima de eventuais relações políticas ou de amizade. Eu, por exemplo, me dou superbem com o gerente da minha agência do Bradesco e mesmo assim estou aqui escrevendo este post. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Vamos ver se o PT discute o assunto no seu congresso, que acontece neste fim de semana. Mas eu abri o post dizendo que os defensores da reestatização da Vale ganharam uma ajuda inesperada. Ainda que indireta. O Wall Street Journal traz hoje reportagem com um monte de elogios à Petrobrás. Clique aqui para ler. Eu li e pensei: se a Petrobrás (com acento) é controlada pelo estado e vai tão bem, por que não devolver o controle da Vale ao estado? Dois são os argumentos contra essa tese: 1) haveria quebra de contrato, o que geraria insegurança jurídica e 2) a Vale só se valorizou tanto porque foi privatizada. O primeiro argumento não me desce bem. Talvez eu tenha passado muito tempo trabalhando na iniciativa privada e convivido muito com empresários. Não conheço empresário que aceite levar até o fim um contrato que passou a ser um péssimo negócio. "Segurança jurídica" é um conceito que os empresários gostam de ver saindo do teclado de seus escribas, mas que deixam de lado na primeira ameaça a suas empresas. O segundo argumento tomou um tiro na asa com essa reportgem de hoje do WSJ. Eu tenho uma proposta para a Vale. O governo retoma 51% das ações pagando o que elas valiam quando a companhia foi privatizada, mais a inflação. Paga à vista, em dinheiro. Para evitar perdas para as pessoas que investiram seu FGTS em ações da Vale, o governo poderia indenizá-las retomando essas ações a valor de mercado (o atual) com um pequeno desconto, compulsoriamente. Quem absorveria a conta? Ora, os bancos. Quem tem ações da Vale compradas com o FGTS recebria ações dos bancos, sem custo adicional. Minha proposta é justa. Está na hora de os bancos fazerem um pequeno sacrifício pelo Brasil, país que tem lhes dado tantas alegrias.
Segundo o Datafolha, são estes os cenários de um hipotético segundo turno para prefeito de São Paulo, se a eleição de 2008 fosse hoje: