É do jogo (31/07)
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Observações políticas
Não incomoda que o nível técnico das competições dos Jogos Pan-Americanos esteja abaixo do desejável. Se os Estados Unidos, por exemplo, não mandaram os seus melhores atletas, problema deles. Não dá para você ficar na festa se lamentando por quem não veio. O Pan não tem sido um evento para a quebra de recordes mundiais. É um evento para o congraçamento esportivo das Américas. Nesse aspecto o Pan é um sucesso. E o Brasil mostra que pode sediar qualquer competição internacional. Um problema grave são as vaias. Vaiar atletas porque são estrangeiros é demonstração de boçalidade e subdesenvolvimento. Outro problema são os estádios meio vazios. Mas os últimos anos têm mostrado que o brasileiro e a brasileira passaram a praticar todo tipo de esporte. Assim, o surgimento de atletas de ponta e portanto de ídolos é uma questão de tempo. Mais ídolos e mais dinheiro no bolso dos torcedores significarão estádios e ginásios mais cheios. Hoje, por exemplo, o futebol feminino encheu o Maracanã para ganhar a medalha de ouro. O adversário foi o time sub-20 dos Estados Unidos? E daí? Nas estatísticas, ficará que as mulheres do Brasil ganharam no futebol a medalha de ouro do Pan de 2007 no Rio de Janeiro. Aliás, eu tenho um pedido aos colegas do jornalismo esportivo. Vamos parar de chamar as mulheres esportistas do Brasil de "meninas do Brasil". Quando a seleção brasileira de futebol masculino entra em campo ninguém usa a expressão "meninos do Brasil". Quando a supercoroada seleção de vôlei do técnico Bernardinho está em quadra ninguém se refere aos jogadores como "os meninos". Então por que será que as mulheres do Brasil são chamadas de "meninas"? De duas uma: ou os homens que representam o Brasil nos eventos esportivos começam a ser chamados de meninos, ou que se passe a chamar as mulheres de mulheres. É razoável. Eu penso que o suposto carinho embutido na expressão "meninas" expressa machismo e sentimento de superioridade. Vamos acabar com essa bobagem. Vamos chamar as mulheres de mulheres. Vamos torcer por elas como torcemos para os homens. E vamos cobrar delas os resultados e a performance que cobramos dos homens.
O JH pediu a Jorge Barros [especialista formado pelo Cenipa, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos] para analisar as ultimas cenas do avião que se acidentou. As imagens foram gravadas pelas câmeras da Infraero. Uma cena mostra o avião ainda no inicio da pista logo depois de tocar o solo. “O vídeos mostra que ele tocou no ponto certo da pista, porém essa velocidade que ele deslancha ainda é muito alta para quem pretende pousar”, fala. Dois minutos antes um outro avião que desceu em Congonhas levou 13 segundos para percorrer esse trecho da pista. O Airbus que se acidentou levou apenas três segundos. “Nessa seqüência o avião percorre o último terço da pista e essa cortina de água que a gente vê logo abaixo do avião significa que o ar que está sendo impulsionado pelo motor se dirige à parte da frente do avião, numa tentativa de frear esse avião pela força aerodinâmica. Os dois reversos estão ativos porque esse avião não perde a direção nesse momento”, disse. Jorge Barros comentou também as condições da pista molhada. “A comparação desse vôo com os vôos anteriores mostra que vários aviões antes conseguiram efetuar o pouso em condições normais, mesmo tocando onde esse avião tocou. Quer dizer, a característica da pista estaria sendo igual para todos os aviões.” No trecho final da pista, o Airbus continua em alta velocidade. Antes de desaparecer da imagem surge um clarão na parte de trás do avião. “Fogo saindo do motor, que pode sair por meia dúzia de motivos. Um deles é uma aceleração muito abrupta, onde o motor reage ao comando do piloto lançando combustível em excesso na carga de combustão para poder gerar a potência que o piloto necessita naquele momento. Pode ser um indício que ele tentou arremeter e isso aí vai ser pesquisado pela comissão que está investigando o acidente”, conclui.
O negrito é meu. As informações apontam que a pista estava com cerca de 0,5 milímetro de água na hora do pouso do Airbus, resultado de uma garoa fina. Insuficiente para representar risco real aos aviões. Por isso dezenas de aeronaves pousaram na pista principal de Congonhas naquele dia, sob as mesmas condições, mas só o 3054 da TAM se acidentou. E o grooving, como é que fica? A falta do grooving, se confirmada como a mehor explicação para o acidente, permitiria concluir que a incompetência (ou coisa pior) do governo, ao liberar a pista sem as ranhuras, foi a responsável maior pelas duas centenas de mortes em Congonhas. Finalmente, depois de tanta espera e tantas tentativas, a oposição teria nas mãos o elo para trazer para perto do universo compreensível aos mortais suas críticas à suposta incompetência do governo. Por enquanto, o grooving sobrevive no noticiário como um fantasma. Outro dia botaram na tevê um cientista que explicou: pistas molhadas apresentam atrito menor do que pistas secas. Ainda bem que temos cientistas para nos explicar coisas assim, complexas e que exigem longos anos de estudo. O motorista comum que tomou conhecimento dessa explicação agora já sabe que é mais difícil frear o carro quando chove. Coisa que ele certamente desconhecia. Quem sabe não esteja na hora de trazer para diante das câmeras outro cientista, desta vez para explicar que a pessoa não deve sair de casa com o carro se o breque não estiver funcionando. Mesmo que o dia esteja lindo, sem uma única nuvem no céu. Será outra informação útil, uma completa novidade para a grande maioria do público.
A foto acima, de Joel Silva, da Folha Online, chama a atenção. O fotógrafo está na pista de rolamento oposta da avenida em que caiu o avião da TAM. E o fotógrafo está de costas para a pista de pouso de onde veio o avião. Notem que está intacta a separação (mureta) entre as duas pistas de rolamento da Washington Luís. Assim como está intacto o poste de iluminação. O que dá a entender que o avião percorreu pelo ar os metros entre o fim da pista de pouso e o ponto da queda. Minha dúvida é a seguinte: a que velocidade tem que estar um Airbus desses para voar da pista até o ponto em que caiu? É um exercício simples de física. O alcance do projétil guarda relação com a velocidade horizontal, dado que o movimento vertical de queda não é afetado pela velocidade horizontal ou pelo peso do avião. Em outras palavras, se o avião foi arremessado horizontalmente da pista (que está num nível superior à avenida), como uma bala atirada para a frente, ele chegou longe o tanto que a velocidade de lançamento permitia. De quanto era então essa velocidade que fez o avião voar sobre a avenida em vez de se arrastar e destruir o que viesse pela frente? Eu continuo com dúvidas sobre a possibilidade de um avião decolar como uma bala enquanto o piloto tenta brecá-lo numa pista escorregadia depois de já ter conseguido reduzir a sua velocidade a níveis em que o atrito com o solo seja suficiente para parar um Airbus lotado de gente, pacotes e combustível. Mas talvez eu esteja escrevendo bobagens e essas minhas dúvidas decorram do fato de ser leigo. Por isso é que eu peço a ajuda de quem entende do assunto. Porque a outra hipótese é que o avião tenha repentinamente perdido altura quando o piloto tentava arremeter. E ninguém tenta decolar quando já está com o avião suficientemente lento para brecá-lo unicamente com base no atrito (já que o efeito aerodinâmico se reduz com a queda da velocidade).
O privatismo é uma posição tão respeitável quanto qualquer outra. Bem como o estatismo. Cada um na sua, e o eleitor que decida. No voto. Mas você sempre pode ganhar a eleição atacando a ideologia privatizante e depois governar flertando com o privatismo, ainda que só nos aspectos que interessam. Vejam por exemplo o projeto das fundações estatais de direito privado que o governo quer criar. Vou comentar o resumo feito por O Estado de S.Paulo (em itálico; meus comentários vão em redondo):
Vaiado seguidamente por um Maracanã lotado, Luiz Inácio Lula da Silva não falou na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Eu acompanho as cerimônias (Pans, Olimpíadas) desde 1967 e nunca vi nada parecido. Um vexame completo, o presidente da República correr de discursar na abertura dos mais importantes jogos organizados pelo país. Ou então o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, enfiou os pés pelas mãos e tomou para si a missão de declarar abertas as competições no lugar do presidente da República. Ou uma mistura das duas coisas. Lula ia falar, intimidou-se com as vaias e desistiu. Mas foi anunciado, daí resolveu falar, mas não avisaram ao Nuzman, que se antecipou e falou. Trapalhada sobre trapalhada. Qual é o problema de ser vaiado? Nenhum. Feio é correr de vaia. Fazia tempo que Lula não se expunha a maracanãs. Muito tempo. Na foto do G1, um Lula ainda animado acena ao público ladeado pelos já constrangidos prefeito César Maia e governador Sérgio Cabral. Aliás, as vaias que sobraram para Lula transformaram-se em aplausos quando a delegação de Cuba entrou no estádio. Comentem.O relatório da CPI do Apagão Aéreo, na Câmara dos Deputados, recomendou o indiciamento por homicídio dos dois pilotos americanos, Jan Paul Paladino e Joseph Lepore, e de quatro controladores de vôo brasileiros. Todos são apontados como responsáveis pelo acidente com o Boeing da Gol, que se chocou com o jato Legacy em setembro de 2006, provocando a morte de 154 pessoas. As informações são da Agência Brasil. Para os deputados, os pilotos devem ser indiciados por homicídio doloso por terem desligado o Transponder, equipamento anti-choque. A CPI concluiu que, embora que não tenha havido intenção de matar, os pilotos tinham conhecimento de que havia risco de morte de voar com o Transpoder desligado. Já os controladores Felipe dos Santos Reis, Leandro José Santos Barros, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Jomarcelo Fernandes dos Santos devem ser indiciados por homicídio culposo, segundo os parlamentares.
Se eu fosse megalomaníaco (jornalistas costumam ser megalomaníacos; blogueiros-jornalistas mais ainda) diria que meu primeiro post criou um ambiente que inviabilizou minha própria previsão. Como não tenho o defeito da megalomania resta-me apenas admitir que eu estava errado.